sábado, 28 de fevereiro de 2015

O Julgamento dos Deuses - 01

- Acorde mestre – a voz sibilante de Ody retumbou em sua mente – Os deuses o aguardam, e sabe como eles podem ser despresiveis quando são obrigados a esperar.
A cabeça doía incontrolavelmente, a bebida do dia anterior havia afetado mais que seu corpo, sua alma estava revoltosa com o desconforto. Precisaria de um bom tabaco para conseguir se acalmar. Mas depois, realmente, os deuses eram irritantes quando contestados.
 - Tome cuidado com a lingua meu caro Ody, eles podem ouvilo e punir sua mente, já que o corpo está todo estragado mesmo.
Olhando de relance, Ody poderia parecer qualquer coisa, menos um humano. O que na verdade ele realmente não era. Suas deformidades faciais assim como osseas e disfunções musculares lhe davam um ar de morcego albino, a cabeça careca por exceção dos pequenos tufos de cabelos pretos aleatórios, era alongada e cheia de protuberancias naturais de sua raça. O corpo era torto já que a colura ficara disforme com o tempo,devido a falta de musculatura.
Ody era de um contraste gritante a seu mestre. Alpheus, por sua vez possuia belos cabelos amendoados, com mechas em vermelho fogo nas pontas, combinando com perfeição à sua pele morena queimada, os olhos púrpura e labios finos lhe davam um ar anti-natural, boa parte de seu charme principesco. A barba negra, sempre por fazer, e os dentes impecavelmente brancos acrescentavam a sua beleza a fotogenia invejada pelos homens e desejada por quase todas as mulheres de Arquad.
 - Mestre, arrume-se direito, nenhum deus quer ve-lo com tão pouca roupa, se me permite dizer.
 - Posso lhe garantir que Telmis e Kalisa nunca reclamaram.
O rubor de Ody, se é que seria possivel algo assim se ruborizar, foi seguido de uma sincera gargalhada de Alpheus.
 Em um desdenhoso aceno havia distorcido as vestes, que mal conseguiam lhe cobrir a pele, em um conjunto formal de seda kandariana de um vermelho e púrpura profundos,suas cores prediletas, com uma abertura em V lateral, deixando o mamilo esquerdo a mostra, junto com o peitoral marcado de tatuagens tribais dos lupinos nomades. As calças de linho azul e gavião baixo davam a leve impressão dos antigos Djinns do deserto, amigos de velha data.
- Está maravilhoso meu caro senhor, um verdadeiro lorde.
- Poupe-me de sua bajulação, agora vá buscar o livro, preciso encontrar os nossos grandes e amaveis deuses patronos. – O leve tom de ironia passou despercebido por Ody, que logo foi buscar o pesado livro em couro.
Antes que o servo pudesse lhe entregar o grimório, Alpheus o trouxe levitando para sua frente, abrindo-o na exata pagina a qual precisaria para abrir as portas de fayre, o reino dos deuses.

Ody, apatico quanto aos poderes do mestre, retomou seus trabalhos de limpeza enquanto observava-o atravessar as dimensões umbrais para o reino dourado dos deuses. Ele podia odiar seu mestre, sua magia, até mesmo seus proprios poderes vampíricos, mas nunca conseguiria odiar a visão do mais belo reino de todas as dimensões.

Introdução

Então, primeiramente, bom dia/tarde/noite.
Meu nome é Marcel Silva, um dia terei um nome artístico, mas hoje não é esse dia. Eu sou aspirante a escritor, com muitas ideias na cabeça e um computador horrível pra transcreve-las. Após muito incentivo de amigos, decidi criar esse blog para divulgar um pouco o mundo ao qual minha história um dia sairá. Meu projeto no fundo do meu coração, é fazer uma série de dezoito livros, um com o nome de cada deus. Obviamente, ideias podem mudar, o mundo pode explodir ou qualquer outra coisa que os deuses desejarem.
Em base, o mundo é povoado por quatro grandes raças de divinos, algo parecido com santos, são eles: Místicos, Lupinos, Vampiros e Feericos. Qualquer relação com os livros da White Wolf não é mera conhecidência, Utilizo várias referências destes sistemas de RPG. Inclusive a história principal, a que vai pros livros, é em suma, uma campanha de RPG, onde vários amigos se reúnem periodicamente para conversar, brincar e nas horas vagas, jogar um pouco, dando material para a história.
No mundo existem 18 deuses animais principais, baseados na cultura nórdica e grega, além de seus semideuses, que ao contrário da cultura grega, não são uma mescla entre deus e humano, mas uma divindade nascida de dois dos dezoito deuses principais. Esses deuses deram a um grupo de humanos o poder das quatro raças divinas, para que esses guiassem a humanidade a uma evolução espiritual.
Mas como humanos que somos, mesmo que em outro mundo, ainda possuímos o livre arbítrio, não mais dado de uma divindade crista, mas natural da evolução mental e social. Estes homens e mulheres e deveriam ter sido santos no mundo de Arquad, utilizaram de seus poderes para derrubar a humanidade e ascender ao nível de reis, rainhas, imperadores e monarcas.
Irei mostrar um pouco deste mundo, 300 anos antes dos livros, e espero que vocês gostem do que lerem. Qualquer dúvida, sugestão ou crítica, deixe nos comentários. Será um prazer mostra-los o grande mundo que tentei construir.