O portal se abriu em meio à arena de lutas. Os dezoito deuses aguardavam impacientes a sua chegada. Alpheus tinha as mãos frias, suadas, o destino das quatro raças dependia de sua habilidade de argumentação, um difícil trabalho, considerando que sua plateia seriam os dezessete patronos e o próprio Criador da existência.
Não esperava que seu portal o levasse logo a Arena Dourada, onde tantos de sua raça se enfrentaram em embates sanguinários. Imagens de amigos mortos o acompanharam a cada passo que dava nas areias negras.
O retumbar em seu peito precedeu a voz de Raikou, o tigre branco mestre das tempestades.
- Finalmente chegara mortal. Seu desrespeito à dadiva do tempo nos enoja.
Seu corpo esfriara, seu próprio patrono o rebaixando, mais do que já se sentia no momento.
- Peço desculpas pelo meu atraso grandiosos, mas reger o mundo da magia é um trabalho árduo e que merece grande atenção.
- Então, - a bela raposa Kalisa cantava - nada mais justo que retirar de suas costas esse fardo, não concorda Alpheus?
Os batimentos cardíacos tiveram que ser controlados, sua magia tinha pouco poder diante dos patronos, os deuses que criaram a magia controlavam tanto sua existência quanto sua potência, a magia era domínio deles. Alpheus mal entrara e já sentia-se a ponto de desesperar-se.
- Perdão grande mestra das artes, devo ter me expressado mal, não digo por ser um fardo. Os senhores me deram esse dom, não há necessidade de tira-lo por enquanto. Humildemente alego ser digno de tal posto, - sua mente trabalhava em uma velocidade forçada que não estava acostumado a fazer, não se arriscaria a usar seus poderes de limpeza de mente na presença de seus mestres, um sinal de fraqueza, que poderia custar-lhe caro - venho para defender minha raça e de meus irmãos.
- Já sabemos disso mortal, melhor se esforçar em sua defesa, pois a menos que tenha algo que Anansi não saiba, seu destino está tecido. - Raikou era sempre o mais incisivo, assim como seus raios, suas palavras eram fulminantes.
O aperto no peito de um futuro trassado e inevitável rompeu a sanidade de Alpheus.
- Credos e seitas criadas em defesa de tu, ó deus dos trovões, dependem de minhas palavras, julgam-me digno de contestar deuses, o que na verdade é impossível, - alimentar o ego de seus ouvintes seria sua única oportunidade agora que seu destino foi traçado - rogo-lhes que permitam à sua cria, provar ser correta e justa, assim como não fora antes, por arrogância e egocentrismo. Julgamos ser superiores a tudo, grandes deuses, mas somos apenas servos de suas palavras, - os fios de Anansi tinham que ser rompidos ou tudo estaria perdido - somos servos e não mestres de nossos destinos, e assim como um fiel servo, aceito humildemente o destino que me traçaram. - Um blefe, talvez, mas que não foi percebido, pelo menos não pelos dezessete que mantinham-se atentos. O Criador, por sua vez parecia não perceber o que ocorria a sua volta.
A longa barba de dragão d'O Grande Ancião e seus verdes olhos refletiam a realidade assim como ele a desejara. De todos os deuses, O Grande Ancião era o mais desapontado com sua criação, que deturpara sua verdade e que com o auxilio de Evanescente, o deus das mudanças, criaram um mundo falso e autodestrutivo. Seria ele a dar o decreto final, e sua decisão havia sido tomada.
- Grandes senhores da realidade, rogo-lhes a oportunidade de ser novamente o mestre dos divinos, as quatro raças tão devotadas aos seus criadores. Sou um homem de palavra, conheceis minha linhagem, sabem que posso ser um grande líder, assim como um grande servo. Somos aqueles que foram criados para guiar o mundo, então nos dê a oportunidade fazermos aquilo ao qual fomos criados. Deuses, peço que nos dê a oportunidade de guiar novamente a humanidade para a ascensão. Prometo-lhes que não falharemos em nossos deveres nunca mais.
E o futuro da humanidade e dos divinos foi decidido.
Um uníssono de vozes, tão belas que seriam enlouquecedoras aos ouvidos de um humano, saíram do imenso dragão de verde. Tanto na terra quanto nos mares, foi visto o Avatar d'O Grande Ancião, que decretou a nova era de Arquad.
- Minha palavra é a lei, mortal. Sua raça é pecaminosa e desonra os preceitos criados pelos deuses, seus atos imperdoáveis de prepotência e arrogância os condenaram à seu destino. De hoje em diante, os poderes divinos serão extintos, até que sua existência se torne lenda e que a humanidade se sinta exposta ao caos e destruição que ela mesmo se condenou. Sois desprezíveis aos olhos de seu criador.
E a partir deste dia, as quatro raças divinas, Arcanos, Feéricos, Lupinos e Vampiros, foram extintos. Até o fim dos tempos.
Fables - Entre Deuses e Homens
sábado, 4 de abril de 2015
sábado, 28 de fevereiro de 2015
O Julgamento dos Deuses - 01
-
Acorde mestre – a voz sibilante de Ody retumbou em sua mente – Os deuses o
aguardam, e sabe como eles podem ser despresiveis quando são obrigados a
esperar.
A
cabeça doía incontrolavelmente, a bebida do dia anterior havia afetado mais que
seu corpo, sua alma estava revoltosa com o desconforto. Precisaria de um bom
tabaco para conseguir se acalmar. Mas depois, realmente, os deuses eram
irritantes quando contestados.
- Tome cuidado com a lingua meu caro Ody, eles
podem ouvilo e punir sua mente, já que o corpo está todo estragado mesmo.
Olhando
de relance, Ody poderia parecer qualquer coisa, menos um humano. O que na
verdade ele realmente não era. Suas deformidades faciais assim como osseas e
disfunções musculares lhe davam um ar de morcego albino, a cabeça careca por
exceção dos pequenos tufos de cabelos pretos aleatórios, era alongada e cheia
de protuberancias naturais de sua raça. O corpo era torto já que a colura
ficara disforme com o tempo,devido a falta de musculatura.
Ody
era de um contraste gritante a seu mestre. Alpheus, por sua vez possuia belos
cabelos amendoados, com mechas em vermelho fogo nas pontas, combinando com
perfeição à sua pele morena queimada, os olhos púrpura e labios finos lhe davam
um ar anti-natural, boa parte de seu charme principesco. A barba negra, sempre
por fazer, e os dentes impecavelmente brancos acrescentavam a sua beleza a
fotogenia invejada pelos homens e desejada por quase todas as mulheres de
Arquad.
- Mestre, arrume-se direito, nenhum deus quer
ve-lo com tão pouca roupa, se me permite dizer.
- Posso lhe garantir que Telmis e Kalisa nunca
reclamaram.
O
rubor de Ody, se é que seria possivel algo assim se ruborizar, foi seguido de
uma sincera gargalhada de Alpheus.
Em um desdenhoso aceno havia distorcido as
vestes, que mal conseguiam lhe cobrir a pele, em um conjunto formal de seda
kandariana de um vermelho e púrpura profundos,suas cores prediletas, com uma
abertura em V lateral, deixando o mamilo esquerdo a mostra, junto com o
peitoral marcado de tatuagens tribais dos lupinos nomades. As calças de linho
azul e gavião baixo davam a leve impressão dos antigos Djinns do deserto,
amigos de velha data.
-
Está maravilhoso meu caro senhor, um verdadeiro lorde.
-
Poupe-me de sua bajulação, agora vá buscar o livro, preciso encontrar os nossos
grandes e amaveis deuses patronos. – O leve tom de ironia passou despercebido
por Ody, que logo foi buscar o pesado livro em couro.
Antes
que o servo pudesse lhe entregar o grimório, Alpheus o trouxe levitando para
sua frente, abrindo-o na exata pagina a qual precisaria para abrir as portas de
fayre, o reino dos deuses.
Ody,
apatico quanto aos poderes do mestre, retomou seus trabalhos de limpeza
enquanto observava-o atravessar as dimensões umbrais para o reino dourado dos
deuses. Ele podia odiar seu mestre, sua magia, até mesmo seus proprios poderes
vampíricos, mas nunca conseguiria odiar a visão do mais belo reino de todas as
dimensões.
Introdução
Então, primeiramente, bom dia/tarde/noite.
Meu nome é Marcel Silva, um dia terei um nome artístico, mas hoje não é esse dia. Eu sou aspirante a escritor, com muitas ideias na cabeça e um computador horrível pra transcreve-las. Após muito incentivo de amigos, decidi criar esse blog para divulgar um pouco o mundo ao qual minha história um dia sairá. Meu projeto no fundo do meu coração, é fazer uma série de dezoito livros, um com o nome de cada deus. Obviamente, ideias podem mudar, o mundo pode explodir ou qualquer outra coisa que os deuses desejarem.
Em base, o mundo é povoado por quatro grandes raças de divinos, algo parecido com santos, são eles: Místicos, Lupinos, Vampiros e Feericos. Qualquer relação com os livros da White Wolf não é mera conhecidência, Utilizo várias referências destes sistemas de RPG. Inclusive a história principal, a que vai pros livros, é em suma, uma campanha de RPG, onde vários amigos se reúnem periodicamente para conversar, brincar e nas horas vagas, jogar um pouco, dando material para a história.
No mundo existem 18 deuses animais principais, baseados na cultura nórdica e grega, além de seus semideuses, que ao contrário da cultura grega, não são uma mescla entre deus e humano, mas uma divindade nascida de dois dos dezoito deuses principais. Esses deuses deram a um grupo de humanos o poder das quatro raças divinas, para que esses guiassem a humanidade a uma evolução espiritual.
Mas como humanos que somos, mesmo que em outro mundo, ainda possuímos o livre arbítrio, não mais dado de uma divindade crista, mas natural da evolução mental e social. Estes homens e mulheres e deveriam ter sido santos no mundo de Arquad, utilizaram de seus poderes para derrubar a humanidade e ascender ao nível de reis, rainhas, imperadores e monarcas.
Irei mostrar um pouco deste mundo, 300 anos antes dos livros, e espero que vocês gostem do que lerem. Qualquer dúvida, sugestão ou crítica, deixe nos comentários. Será um prazer mostra-los o grande mundo que tentei construir.
Meu nome é Marcel Silva, um dia terei um nome artístico, mas hoje não é esse dia. Eu sou aspirante a escritor, com muitas ideias na cabeça e um computador horrível pra transcreve-las. Após muito incentivo de amigos, decidi criar esse blog para divulgar um pouco o mundo ao qual minha história um dia sairá. Meu projeto no fundo do meu coração, é fazer uma série de dezoito livros, um com o nome de cada deus. Obviamente, ideias podem mudar, o mundo pode explodir ou qualquer outra coisa que os deuses desejarem.
Em base, o mundo é povoado por quatro grandes raças de divinos, algo parecido com santos, são eles: Místicos, Lupinos, Vampiros e Feericos. Qualquer relação com os livros da White Wolf não é mera conhecidência, Utilizo várias referências destes sistemas de RPG. Inclusive a história principal, a que vai pros livros, é em suma, uma campanha de RPG, onde vários amigos se reúnem periodicamente para conversar, brincar e nas horas vagas, jogar um pouco, dando material para a história.
No mundo existem 18 deuses animais principais, baseados na cultura nórdica e grega, além de seus semideuses, que ao contrário da cultura grega, não são uma mescla entre deus e humano, mas uma divindade nascida de dois dos dezoito deuses principais. Esses deuses deram a um grupo de humanos o poder das quatro raças divinas, para que esses guiassem a humanidade a uma evolução espiritual.
Mas como humanos que somos, mesmo que em outro mundo, ainda possuímos o livre arbítrio, não mais dado de uma divindade crista, mas natural da evolução mental e social. Estes homens e mulheres e deveriam ter sido santos no mundo de Arquad, utilizaram de seus poderes para derrubar a humanidade e ascender ao nível de reis, rainhas, imperadores e monarcas.
Irei mostrar um pouco deste mundo, 300 anos antes dos livros, e espero que vocês gostem do que lerem. Qualquer dúvida, sugestão ou crítica, deixe nos comentários. Será um prazer mostra-los o grande mundo que tentei construir.
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